A primeira medida a ser tomada diante de uma lesão suspeita de melanoma é a biópsia, preferencialmente completa (excisional) da lesão com margem de 2-3mm (incluindo tecido celular subcutâneo), uma vez que o exame anatomopatológico é o padrão-ouro no seu diagnóstico.
A biópsia incisional (parcial) pode ser considerada nas lesões maiores localizadas em áreas mais delicadas, como a face.
APÓS A CONFIRMAÇÃO HISTOPATOLÓGICA DO MELANOMA
Após a confirmação histopatológica do melanoma, deve-se ampliar a cicatriz de acordo com a espessura do Breslow (medida em milímetro da profundidade de invasão do melanoma).
BIOPSIA DO LINFONODO SENTINELA
A biopsia do linfonodo sentinela consiste na pesquisa de invasão tumoral no primeiro linfonodo da cadeia que drena a região onde está localizado o melanoma.
Teoricamente, está indicada quando o Breslow for maior que 1mm ou entre 0,8 e 1mm se associado a ulceração ou presença de qualquer quantidade de mitose diferente de zero.
Quando indicada, a biopsia do linfonodo sentinela deve ser realizada no mesmo tempo cirúrgico da ampliação das margens.
EXAMES COMPLEMENTARES
A necessidade de exames complementares varia com o estadiamento do melanoma. De forma simplificada, os estágios 0, I e II são os melanomas restritos à pele, estágio III são aqueles com doença loco-regional e IV com metástase à distância.
Nos estágios iniciais, os exames laboratoriais e de imagem não são necessários, exceto no estágio II de alto risco e III A e B, em que pode ser recomendado ultrassonografia da cadeia linfonodal. Nos estágios mais avançados, são solicitados LDH no sangue e exames de imagem.
QUAL A DIFERENÇA ENTRE MICROSATELITOSE, SATELITOSE E METÁSTASE EM TRÂNSITO?
- Microsatelitose: A microsatelitose é a presença de ninhos tumorais separados do componente invasivo do tumor por 0,3 mm ou mais de tecido e é visualizada somente na patologia.
- Satelitose: A satelitose consiste em focos de melanoma até 5 cm da lesão cutânea primária.
- Metástase em trânsito: Metástase em trânsito é a presença de lesões na área da drenagem linfática além de 5 cm do tumor primário.
SEGUIMENTO
Pacientes que tiveram melanoma devem ser acompanhados pelo dermatologista pelo resto da vida, uma vez que o risco de apresentarem um segundo melanoma primário varia de 5 a 12%. Nos primeiros cinco anos é recomendado acompanhamento semestral. Os familiares de 1o grau também devem fazer acompanhamento dermatológico.
Avaliação do geneticista e testes genéticos podem ser solicitados na suspeita de melanoma familial ou se houver história de outras neoplasias.
TRATAMENTO DO MELANOMA AVANÇADO
Em relação ao melanoma avançado, durante muitos anos, os únicos tratamentos regulamentados foram a dacarbazina e a interleucina-2 em altas doses, com resultados insatisfatórios. Desde 2010, o número de terapias aprovadas vem aumentando com a chegada da terapia alvo e da imunoterapia, que mudou a história natural da doença nos pacientes que respondem ao tratamento. Atualmente, a imunoterapia é aprovada para neoadjuvância nos melanomas estágio II de alto risco .
A terapia alvo é representada pelos inibidores do BRAF e inibidores da MEK, enquanto a imunoterapia é representada pelos anti-CTLA4, anti-PD-1 / PD-L1 e anti-LAG-3.
Terapia alvo. Os inibidores do BRAF bloqueiam a proteína BRAF com a mutação V600E ou V600K, e assim como os inibidores da MEK, agem na via da MAP kinase, bloqueando importantes mecanismos da carcinogênese, como crescimento celular, proliferação e capacidade de invasão. Os iBRAF estão associados com diversos efeitos adversos cutâneos, sendo os principais a fotossensibilidade, os diversos tipos de erupção cutânea, a hiperceratose palmoplantar e a inflamação do tecido celular subcutâneo, além do estímulo para surgimento de proliferações queratinocíticas e melanocíticas. Os IMEK causam erupção papulopustulosa, que é muito semelhante a acne.
Imunoterapia. A imunoterapia é representada por anticorpos monoclonais humanizados que aumentam a resposta imunológica contra as células do melanoma através do bloqueio de receptores na superfície do linfócito T ou de seus ligantes. Liberam respostas imunológicas específicas contra o tumor que estavam suprimidas. Os efeitos colaterais destes agentes podem ser atribuídos ao sistema imune permanentemente ativado, sendo os principais o prurido, os diversos tipos de erupções cutâneas e o vitiligo.