NEVOS COM CARACERÍSTICAS ESPECIAIS

NEVO COM CARACTERÍSTICAS ESPECIAIS  

Seguindo a classificação do artigo publicado por Argenziano e colaboradores em 2007, os nevos com características especiais incluem o nevo combinado, o nevo de Sutton, o nevo de Meyerson e o nevo recorrente.  

 

NEVO COMBINADO  

O nevo combinado caracteriza-se pela associação de um nevo azul com outro tipo de nevo melanocítico. Clinicamente, predominam as características do nevo azul. Na dermatoscopia, observa-se o componente azul homogêneo associado às características do outro nevo. Devido à superposição de lesões diferentes, o nevo combinado pode gerar dúvidas, e por isso deve ser avaliado cuidadosamente.  

 

NEVO HALO OU NEVO DE SUTTON  

O nevo de Sutton, também conhecido como nevo halo ou vitiligo perinévico, é rodeado por um halo hipo ou acrômico. É mais comum no tronco de crianças e adolescentes e pode ser único ou múltiplo. Trata-se de um fenômeno imunológico que envolve fatores celulares e humorais contra antígenos névicos.  

A lesão central pode ser qualquer tipo de nevo e, à medida que o nevo halo progride, ela vai apagando até restar apenas uma mácula hipopigmentada. Pode estar relacionado com outros fenômenos autoimunes, como vitiligo e tireoidopatias, e com o melanoma (na própria lesão que formou o halo ou em outra lesão à distancia).  

Devemos considerar sua excisão quando encontramos nevos melanocíticos displásicos no interior do halo, quando o halo for assimétrico, ou se o fenômeno halo aparecer a partir dos 40-50 anos de idade, que é uma faixa etária na qual não esperamos mais encontrar esse tipo de alteração. 

 

NEVO ECZEMATIZADO  

O nevo eczematizado ou nevo de Meyerson é mais frequente em adultos jovens com predisposição atópica. Clinicamente, apresenta descamação, halo eritematoso e pode ser pruriginoso. À dermatoscopia, observamos eritema, escamas e crostas amareladas. Geralmente, a inflamação se resolve com um curso rápido de corticoide tópico.     

 

NEVO RECORRENTE  

No caso do nevo recorrente, o grande desafio é fazer o diagnóstico diferencial com melanoma recidivado se não tivermos o laudo histopatológico da lesão que foi retirada previamente.  

Alguns fatores falam mais a favor de lesão benigna: 

  • idade do paciente inferior a 30 anos; 
  • surgimento precoce da repigmentação, isto é, cerca de 4 a 10 meses após o procedimento; 
  • pigmentação simétrica;   
  • confinamento do pigmento dentro da área da cicatriz. 

Devemos ficar atentos com a possibilidade de um melanoma recidivado quando: 

  • o paciente tiver mais de 30 anos; 
  • se o reaparecimento da pigmentação for tardio (a partir de um ano após o procedimento); 
  • quando a repigmentação for assimétrica;  
  • se o pigmento se estender além da área da cicatriz.